Na comemoração do seu Dia os riscos sanitários continuam, acentuados pela onda de calor, diz relatório da FAO
Wandell Seixas
A freqüência, intensidade e duração dos eventos de calor extremo cresceram “acentuadamente” nas últimas cinco décadas provocando elevado risco sanitário, o que pode reduzir a produtividade agrícola em até 50%, segundo o relatório “Extreme Heat and Agriculture” de 2026 da Food and Agriculture Organization (FAO) e da World Meteorological Organization recém divulgado. No Dia Internacional da Sanidade Vegetal, celebrado hoje, 12, a Ascenza reforça a importância da ciência, da inovação e da proteção integrada para garantir produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.
A sanidade vegetal é hoje um dos principais eixos da agricultura moderna em todo o planeta. Celebrar o Dia Internacional da Sanidade Vegetal é reconhecer que proteger a saúde das plantas é um passo essencial para garantir produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.
O relatório alerta que o calor extremo atua como um “multiplicador de risco”, acelerando a disseminação de pragas e doenças agrícolas, favorecendo mais gerações anuais de insetos, expansão territorial de vetores e maior permanência de doenças agrícolas. Segundo o documento, o aumento da temperatura acelera o ciclo biológico de insetos, amplia áreas geográficas favoráveis a pragas, aumenta sobrevivência no inverno, favorece doenças fúngicas e bacterianas, cria “efeitos compostos” com seca e estresse hídrico e amplifica impactos já existentes sobre os sistemas agrícolas.
As culturas começam a perder rendimento em temperatura acima de 30°C e uma única onda extrema de calor pode cortar a produtividade agrícola em até 50% em determinadas culturas e regiões, conforme o relatório. Com o estresse térmico a planta perde capacidade de defesa e fica mais suscetível a doenças e pragas. As análises indicam que as temperaturas máximas diurnas ultrapassaram o limiar crítico de 30 °C em mais de 60% dos dias, entre outubro de 2023 e maio de 2024, em algumas regiões do Brasil. Em regiões produtoras do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, as máximas chegaram a ficar 5°C acima da média histórica.
O estresse térmico dessas ondas de calor causou redução de safra, morte de flores, diminuição no número de vagens no amendoim, aumento de pragas e doenças em culturas como milho, batata, soja, cana-de-açúcar e feijão, e impactos em plantações perenes de café arábica, azeitona e caju.
As mudanças climáticas, o aumento da pressão de pragas e doenças e um ambiente regulatório cada vez mais exigente colocam a saúde das plantas no centro das decisões técnicas das propriedades agrícolas. A falta de sanidade no campo coloca em risco a produção e causa prejuízos para os agricultores. Pragas e doenças podem reduzir drasticamente a produtividade, desvalorizar os produtos e comprometer a viabilidade econômica da propriedade. Na exportação, certificados fitossanitários são obrigatórios e exigidos pelos países importadores, inclusive pelos países da União Européia, que firmou um acordo como o Brasil de redução gradual de tarifas a partir deste mês. Produtos com boa sanidade alcançam melhores preços nos mercados interno e externo.