Plano Safra não atende pontos básicos necessários para fomentar a atividade agropecuária, apontam entidades classistas

O Plano Safra 2026/2027 não atende os pontos básicos anunciados pelo governo federal. Pelo menos este é o pensamento das entidades classistas de Goiás. Entre as quais a Faeg, a Aprosoja, a SGPA, a AGCZ e a OCB. Para o diretor executivo da Aprosoja-Go, Leonardo Machado, a situação goiana é grave. Observa o dirigente classista que a “entidade considera que ainda falta medida para enfrentar o endividamento dos agropecuaristas”. Em sua visão, acompanhada pelo setor, os juros encontram-se acima dos valores de custeio.
O segmento do agronegócio no Estado estabelece contato mais estreito com a bancada ruralista no Congresso Nacional para reformular itens chaves do Plano Safra. A Faeg, através da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, participou de audiência pública da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
O consultor jurídico Rodrigo Kaufmann afirmou que a entidade é favorável ao projeto, de autoria do deputado Sérgio Souza (MDB-PR), e disse que a proposta contribui para preencher uma lacuna no ordenamento jurídico ao reconhecer, de forma mais clara, os direitos do produtor.
Rodrigo explicou que o projeto trata dos interesses econômicos e jurídicos dos produtores, estabelece direitos básicos e aborda aspectos como relações contratuais, acesso à informação e diretrizes para a formulação de políticas públicas voltadas ao setor agropecuário.
Outro ponto abordado pelo consultor foi o Fundo Garantidor de Créditos, instrumento fundamental para ampliar o acesso dos produtores ao crédito. “Será muito bem-vindo que o PL estabeleça, dentro da sua lógica, o direito de acesso a esse fundo garantidor”.
Rodrigo reforçou o apoio da CNA e afirmou que, embora o texto ainda possa ser aprimorado, a proposta representa um avanço ao reconhecer o produtor rural como sujeito de direitos, tanto na esfera privada quanto na pública.
A SGPA entende que a inclusão da expressão “por sua conveniência e decisão” no Manual de Crédito Rural coloca o produtor rural refém dos bancos, criando um ambiente de elevada insegurança jurídica. É inadmissível conceder às instituições financeiras liberdade unilateral de decidir sobre a renegociação de dívidas. A medida, da maneira que está estabelecida, vai ampliar a judicialização no agronegócio, trazendo ao país e ao setor um cenário ainda maior de instabilidade econômica.
É preciso lembrar que o crédito rural é um instrumento de política agrícola, criado pelo Estado para promover e fortalecer a atividade agropecuária e a segurança alimentar. No entanto, estamos presenciando, mais uma vez, a falta de previsibilidade das regras – garantia essencial para estimular investimento e assegurar a produção e os empregos.
Faeg lamenta redução de recursos equalizados e dificuldades no acesso ao crédito no Plano Safra 2026/2027
Análise da Federação da Agricultura e pecuária de Goiás, aponta além de corte de recursos em linhas estratégicas de crédito, ausência de anúncio para seguro rural e cenário desafiador diante do aumento dos custos e dos eventos climáticos
O anúncio do Plano Safra 2026/2027 trouxe preocupação ao setor agropecuário em razão da redução de recursos equalizados considerados estratégicos para sustentar a produção no campo. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), que destaca cortes em algumas linhas de crédito, redução dos recursos equalizados e ausência de definição para a subvenção do prêmio de seguro rural.
Entre os pontos de atenção está a diminuição dos recursos destinados ao custeio da produção, justamente em um momento em que os produtores enfrentam aumento nos custos e maior necessidade de capital para garantir plantio, aquisição de insumos e manutenção da atividade rural. Também houve redução dos recursos equalizados, aqueles que recebem apoio do governo para diminuir o custo dos financiamentos, passando de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, queda de 14,7%.
De acordo com Edson Novaes, gerente do Grupo de Estudos Técnicos Econômicos da Faeg, Getec, o cenário exige atenção porque o acesso ao crédito continua sendo um dos principais desafios para o produtor.
“Apesar da redução de 1% a 1,5%nas taxas de juros em algumas linhas de financiamento, ainda é insuficiente diante do nível de endividamento enfrentado pelo produtor rural e das dificuldades de acesso ao crédito. Além disso, boa parte dos recursos do Plano Safra continua operando com juros livres, que chegam entre 15% e 19% ao ano”, afirma.
A análise também aponta redução em programas importantes para modernização e expansão da atividade agropecuária. O PCA teve redução de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,4 bilhões; o Moderfrota caiu de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões; o Inovagro passou de R$ 6,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões; e o RenovAgro reduziu de R$ 5,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões.
Embora os investimentos tenham registrado aumento de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, a Faeg ressalta que parte desse crescimento ocorreu com a inclusão de fundos que tradicionalmente não fazem parte do crédito rural.
Outro ponto destacado pelo setor é a ausência de anúncio sobre a subvenção ao prêmio do seguro rural. No ciclo anterior, foram anunciados R$ 1,01 bilhão, mas apenas R$ 565 milhões foram efetivamente subvencionados. Para o novo Plano Safra, entidades do agro defendiam a destinação de R$ 4 bilhões para fortalecer a proteção do produtor diante das perdas climáticas.
Segundo Edson Novaes, o próximo ciclo agrícola deverá ser marcado por fatores que aumentam a pressão sobre o campo.
“O produtor entra na próxima safra enfrentando desafios importantes como eventos climáticos extremos, possibilidade de influência do El Niño, endividamento elevado, aumento dos custos de produção e redução da rentabilidade em várias cadeias produtivas”, destaca.
Mesmo diante desse cenário, a expectativa nacional segue positiva para o volume produzido. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento de 1,8% na produção brasileira, passando de 352,2 milhões para 358,6 milhões de toneladas. Em Goiás, no entanto, a previsão é de retração de 9,1%, com queda de 37,3 milhões para 33,9 milhões de toneladas, influenciada principalmente pelo desempenho do milho segunda safra.
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