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Preço do etanol despenca nas usinas, mas consumidor paga caro em Goiânia

Desde o início da safra de cana-de-açúcar 2026/27 na região Centro-Sul, os preços do etanol hidratado pagos aos produtores acumulam forte queda, segundo dados do Cepea/Esalq-USP. Apesar disso, a redução ainda não chegou com a mesma intensidade ao consumidor em Goiânia, onde os preços seguem acima da média nacional.

Levantamento do Cepea mostra que o preço médio do etanol hidratado em Goiás caiu de R$ 2,81 por litro em 2 de abril para R$ 2,16 por litro em 8 de maio nas negociações entre distribuidoras e usinas. A retração é de aproximadamente 23% no período.
O movimento acompanha o avanço da moagem de cana-de-açúcar e o aumento da oferta de etanol no mercado do Centro-Sul.
            Na ponta final da cadeia, porém, o consumidor em Goiânia ainda não percebeu a mesma redução nas bombas. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do etanol em Goiás saiu de R$ 4,53 por litro na semana de 29 de março a 4 de abril para R$ 4,77 entre 3 e 9 de maio, sendo que por vários dias esteve bem acima de R$, 5,00.

Enquanto o combustível despenca nas usinas, os preços praticados na capital goiana seguem entre os mais altos do país. Em estados como São Paulo, por exemplo, houve queda no varejo, com o etanol passando de R$ 4,52 para R$ 4,17 por litro no mesmo período. Em Mato Grosso, o valor recuou de R$ 4,64 para R$ 4,44.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg) e da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, afirma que existe um descompasso entre os preços praticados nas usinas e os valores cobrados ao consumidor final. Segundo ele, a forte retração nas usinas já ocorreu com o avanço da safra. “Nós tivemos uma queda grande nas usinas, um dos menores preços do Brasil. Postos de outras cidades e estados estão praticando valores bastante inferiores”, disse.

Rocha também destacou que o mercado mudou nos últimos anos com o crescimento da produção de etanol de milho, reduzindo os efeitos de entressafra e aumentando a oferta do biocombustível ao longo do ano.

O cenário reforça os questionamentos sobre a demora no repasse das quedas registradas pelas usinas ao consumidor em Goiânia. Na prática, a conta ainda pesa no bolso do motorista da capital, mesmo com a safra em andamento e a oferta maior de etanol no mercado.

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