Setor pet cresce apenas 3,45% e fatura R$ 77,96 bilhões em 2025
⦁ Com pior índice desde 2019, resultado reflete cenário econômico e tributário e fica aquém do que havia sido projetado pela Abempet no início do ano passado;
⦁ Produção de pet food em 2025 manteve produção na casa das 4 milhões de toneladas, menos da metade do potencial nacional;
⦁ Setor não foi contemplado na Reforma Tributária, o que distancia a população dos produtos e serviços para animais de estimação.
São Paulo, março de 2026 – O setor pet fechou o ano de 2025 com o pior resultado desde 2019, crescendo apenas 3,45% e faturando R$ 77,96 milhões. Após obter em 2024 o menor ganho desde a pandemia de Covid-19, com alta 9,6% em relação a 2023, a entidade aponta aumento tímido como reflexo do cenário econômico e tributário enfrentado no país. Os números ficam aquém da expectativa inicial, que era de, ao menos, chegar aos R$ 78 bilhões.
A entidade avalia que inflação, câmbio e desaceleração do consumo são influências negativas. No caso do câmbio, o valor do dólar influencia no preço de ingredientes básicos de produtos como o pet food. “O setor pet segue sólido, mas os resultados de 2025 refletem os desafios econômicos e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor”, comenta Caio Villela, CEO da Abempet.
A venda de alimentos industrializados para animais de estimação encerrou 2025 com R$ 41,42 bilhões (53,1% do total do setor). Em seguida, vem a venda de animais por criadores, representando R$ 8,5 bilhões, ou 11% do faturamento do mercado. Logo depois, os produtos veterinários (pet vet) representam R$ 8,2 bilhões, ou 10,6% do total do faturamento do setor. Serviços veterinários são o quarto maior segmento em faturamento, com R$ 8,18 bilhões (10,5%).
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Em relação aos canais de acesso, pet shops pequenos e médios permanecem como quase metade de todo movimento do varejo, movimentando R$ 37,49 bilhões. Em segundo lugar estão as clínicas e hospitais veterinários, que representam cerca de 17,5% do faturamento (R$ 13,64 bilhões). Completando o pódio, as cadeias de mega stores pet tem uma fatia de 9,6%, faturando R$ 7,48 bilhões.
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Dentro do segmento de e-commerce, o varejo especializado mantém a frente e segue sendo o segmento que mais vende. Os pet shops virtuais representam 37,1% do faturamento, com R$ 2,34 bilhões, seguido pelas lojas virtuais das mega stores, com R$ 2,07 bilhão (32,8%) e pelas lojas virtuais de pequenos e médios pet shops, com R$ 1,27 bilhão (20,1%).
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“Apesar da relevância crescente do digital, este crescimento mais tímido é uma preocupação. O consumidor está mais criterioso, o que reforça a necessidade de estratégias eficientes para manter a competitividade. A Abempet segue acompanhando esse cenário e reforça a importância de um ambiente tributário mais equilibrado para garantir o avanço sustentável da indústria pet”, declara Villela.
Indústria | A produção de pet food apresenta uma leve alta. Após a redução de 0,6% em relação a 2023, a alta de 0,12% faz com que a produção se mantenha na casa das 4 milhões de toneladas, mesmo com o parque industrial brasileiro tendo potencial para superar as 9 milhões. O crescimento tímido reflete as dificuldades do maior setor do mercado pet em enfrentar os desafios mencionados. “Calculamos que, para 2026, se o cenário tributário e o câmbio permanecerem como estão, fatores que atrapalham o desempenho do setor, o crescimento será igualmente tímido”, prevê o CEO da Abempet, Caio Villela.
Reforma tributária | Umestudo econômico apresentado em Brasília, em 2024, demonstra que a redução da carga tributária do setor pet seria um movimento estratégico para o País. Um tratamento tributário compatível com a essencialidade do setor poderia elevar a produção industrial para até 9 milhões de toneladas anuais, impulsionar o consumo pelas famílias brasileiras e gerar um aumento estimado de até 210% na arrecadação de tributos, considerando toda a oferta de produtos e serviços do segmento. A medida criaria um ciclo virtuoso: menor tributação gera maior acesso aos produtos, o que aumenta o consumo e, por fim, expande a arrecadação. “O setor pet não é consumo supérfluo. O reconhecimento da sua essencialidade é uma discussão de política pública. As medidas públicas precisam ser coerentes: estimular cuidado, não encarecê-lo. 2026 é o ano do reconhecimento; 2027, o momento da revisão justa da Reforma Tributária”, diz José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet
Sobre a Abempet
A Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação) representa e impulsiona toda a cadeia do setor pet no país, congregando os segmentos de alimentação e ingredientes (pet food), medicamentos veterinários (pet vet), equipamentos, acessórios, higiene e beleza (pet care), além de criação e serviços voltados para animais de estimação. A entidade fortalece a indústria, o comércio e os criadores por meio de projetos de fomento ao conhecimento, ao empreendedorismo e à inovação, contribuindo para a profissionalização do setor e o desenvolvimento de seus associados.
Com foco em ampliar a percepção de que os benefícios da convivência entre seres humanos e animais de estimação se estendem a toda a sociedade, a organização atua para consolidar um setor cada vez mais sólido, responsável e inovador, que gera bem-estar, saúde e qualidade de vida para pessoas e pets.