Até três vezes mais áreas verdes: tendência chega ao Entorno do DF
Novas iniciativas sustentáveis do mercado imobiliário focam na demanda por qualidade de vida e na manutenção da riqueza de biodiversidade de fauna e flora no Cerrado
Com um peso cada vez maior no mercado imobiliário, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar essencial e atender as demandas do público por qualidade de vida e contato com a natureza. Reflexo disso é uma tendência que vem ganhando força: superar em muito o percentual mínimo de preservação de áreas verdes, com empreendimentos que chegam até o triplo do estabelecido na legislação.
Fora da Amazônia Legal, como no Distrito Federal e Goiás, a Lei 12.651/2012 determina que 20% do imóvel rural tenha cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal. Mas, em locais como o Entorno do DF, existem iniciativas que preservam uma parcela bem superior. É o que se pode observar na cidade de Alexânia com o Laguna Magnólia, por exemplo, que possui 59% de áreas verdes, equivalentes a mais de 485 mil metros quadrados, principalmente de mata nativa preservada.
Rômulo Mendonça, que atua no ramo de incorporação imobiliária e é fundador de feiras consolidadas, como a Expotchê, conta o que está por trás da tendência. “O objetivo é ir além de cumprir a lei e colocar em prática o conceito de morar dentro da natureza, e não apenas ao lado dela. Isso proporciona, diretamente, melhor qualidade de vida, microclima mais ameno e conforto acústico, além de valorização imobiliária”, explica.
Menos riscos
A qualidade de vida oferecida pelo convívio com áreas verdes embasa diretrizes médicas no Japão, EUA e Canadá para recomendar que pacientes passem mais tempo na natureza. Os benefícios são evidenciados por vários estudos, como o da Universidade de Exeter (Inglaterra) com 20 mil pessoas, que atestou melhora significativa na saúde e bem-estar de quem tem contato com a natureza por, pelo menos, duas horas por semana.
Pesquisas da Universidade de Derby (Inglaterra) e da Universidade de Louisville (EUA) também constataram benefícios como combate à ansiedade, diminuição do risco de doenças cardíacas e respiratórias, redução do cortisol (hormônio do estresse) e controle da diabetes. Com 18 anos de expertise no ramo imobiliário, o especialista em Gerenciamento de Projetos e em Gestão de Negócios pela FGV, Thiago Boaventura, avalia que esses estudos traduzem bem a realidade.
“Em médias e grandes cidades, as pessoas lidam com falta de tempo, trânsito intenso e muitas exigências na vida pessoal e profissional, podendo até adoecer. Para ter uma válvula de escape e mais qualidade de vida, buscam se reconectar com a natureza, o que se reflete na procura por empreendimentos que entregam essa característica”, analisa.
Corredor ecológico
Além da qualidade de vida, a tendência de preservar grande parte da vegetação nativa tem outra motivação: a questão ambiental. Rômulo Mendonça relata que a Fazenda Magnólia (onde fica o Laguna Magnólia), está numa área de transição do Cerrado. O local abriga espécies nativas como pequi, baru, jatobá, cagaita e ipê, além de outras árvores frutíferas, e faz divisa com o Rio Areias, que deságua no Lago Corumbá IV.
“Além da flora, essa é uma área com rica biodiversidade de fauna, onde vivem araras, tucanos, tamanduás e mais espécies típicas do Cerrado. Manter 59% do território com áreas verdes significa conservar esse corredor ecológico ativo”, ressalta. Ele defende que, além de seguir as normas para Área de Preservação Permanente, Reserva Legal e licenciamento ambiental, é necessário adotar mais medidas.
“No caso citado, há regras para uso controlado da lagoa privativa, Rio Areias e Lago Corumbá IV. Existe ainda um programa de conscientização para descarte de resíduos, pesca consciente e não alimentar animais silvestres. É preservação com uso responsável”, reforça o incorporador.

Além da preservação
Iniciativas sustentáveis não se limitam à preservação expressiva da vegetação nativa em projetos mais alinhados com as demandas atuais do mercado. Rômulo Mendonça dá como exemplos ações adotadas no Laguna Magnólia que unem sustentabilidade, tecnologia e inovação. São elas:
– Água e terra: estudo de drenagem de águas pluviais com histórico de mais de dez anos de chuvas para evitar erosão e assoreamento do Lago Corumbá IV, terraplanagem, sistema de reaproveitamento de água das chuvas e irrigação inteligente.
– Energia e materiais: iluminação de LED que reduz o gasto de energia, sensores de presença, priorização de materiais de baixo impacto ambiental e asfalto de qualidade superior que dura mais.
– Mobilidade: traçado das pistas de caminhada respeitando a topografia natural para movimentar menos a terra, plantio de mudas nativas e limpeza da margem da lagoa.
“A preservação da natureza é o pilar, mas tudo tem que funcionar de maneira sistêmica. São medidas que reduzem custos de manutenção e criam uma cultura de cuidado”, resume Mendonça.