AGA tranqüiliza sobre bronquite aviária em Goiás

O presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Marcos Café, também professor da Escola de Veterinária e Zootécnia da UFG, concedeu entrevista ao portal procurando tranqüilizar os avicultores e consumidores de frangos sobre a bronquite infecciosa.
Ao emitir conceito, classificou a doença como “totalmente endêmica que a gente está monitorando”. Recomendou o uso da vacina apropriada para controle, observando que a bronquite infecciosa está presente no País, sobretudo no Paraná, onde o quadro apresenta-se mais preocupante.

Café insiste que os avicultores em Goiás estão mantendo o criatório saudável com as vacinas disponíveis nas revendas. O mercado de consumo não foi afetado, inclusive o eventual exportador.
Insiste que observar que “é mais problema na poedeira do que no frango de corte, mas uma doença respiratória que a gente convive com ela.” Ao longo do ano, os avicultores alteram as estratégias de controle, as vacinações, as monitorias. Observa-se a idade. “Se e o tipo de vacina é destinado ao frango de corte, se é postura e não é doença comum.”
A avicultura goiana tem se consolidado como uma das atividades econômicas mais relevantes do Estado, movimentando R$ 11 bilhões por ano. Goiás é o 5º maior produtor de carne de frango do Brasil, registrando recordes de abate e forte expansão na avicultura de corte e de postura.
No primeiro trimestre de 2026, Goiás abateu 135,7 milhões de frangos (alta de 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior), alcançando o melhor resultado de sua série histórica.
O estado responde por 7,9% do total nacional de abate de frangos, ficando atrás apenas de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Entre janeiro e julho de 2026, Goiás exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango para 95 países, gerando um faturamento de US$ 370,5 milhões (crescimento de 23,3%).
Na avicultura de postura, a produção goiana saltou para mais de 252 milhões de dúzias em anos recentes, com o Valor Bruto de Produção (VBP) estimado em torno de R$ 1,6 bilhão.
Polos Produtores
Frango de Corte: A produção está concentrada nas regiões Centro e Sul do estado. Os maiores municípios produtores incluem Rio Verde (7º maior do país) e Itaberaí (10º maior do país), além de Mineiros e Buriti Alegre.
Integração: A força do setor vem da integração com a lavoura de grãos (milho e soja), que garante o suprimento de ração e o processamento de carnes.
Órgãos e Entidades de Apoio
AGA (Associação Goiana de Avicultura): Entidade estadual sediada em Goiânia que representa e defende os interesses do setor avícola.
Avicultura de Goiás registra melhor resultado da série histórica no início de 2026. Estado abate 135,7 milhões de frangos no prime.
Associação Goiana de Avicultura: AGA
A Associação Goiana de Avicultura (AGA) foi fundada em 14 de abril de 1978. O grupo fundador da entidade era formado por avicultor…
O abate de frangos em Goiás cresceu 7,1% entre janeiro e março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo…
A bronquite infecciosa aviária é uma doença aguda que afeta as galinhas, com uma morbidade próxima a 100 %. Essa doença causa perdas econômicas significativas na avicultura industrial de frangos de corte.
O vírus se dissemina facilmente por via aérea, em aerossóis e secreções respiratórias. Também se dissemina pelo contato direto com frangos ou galinhas infectadas ou suas fezes, além da ingestão de ração e água contaminadas ou por meio de propagação mecânica, com o contato com equipamentos avícolas ou trajes de proteção contaminados transportados entre granjas.
A progressão e gravidade da doença na indústria podem ser influenciadas por um estado de imunossupressão, patógenos coexistentes e vacinas vivas (com o vírus atenuado). Galinhas infectadas (naturalmente ou por meio de vacinas vivas) podem propagar o vírus por até 20 semanas pós-infecção, com um período de incubação de um ou dois dias e um pico de carga viral em descargas nasais entre três e cinco dias depois.
Sintomatología
O vírus da bronquite infecciosa em galinhas provoca vários sintomas ao infectar o trato respiratório superior, incluindo: Tosse. Espirros. Estertores traqueais. Dispnéia
Além disso, a doença pode se espalhar sistemicamente através de macrófagos e monócitos do sangue para órgãos do trato digestivo, como o pro ventrículo, a cloaca, os intestinos e a bursa de Fabricius, e causar complicações no sistema renal, levando a falência renal e mortalidade nos casos mais graves.
De especial importância para a indústria avícola, a infecção do sistema reprodutivo em galinhas pode causar cicatrizes, inflamação e necrose nos ovidutos (oviduto cístico crônico).
As galinhas em idade precoce têm pior prognóstico, ocasionando o cessar da postura ou a produção de ovos de pior qualidade (caracterizados por apresentar cascas finas, deformadas e com perda de pigmentação).
A infecção em galinhas maduras também pode levar à deterioração da qualidade dos ovos e interrupção temporária da produção. Em frangos, a infecção do sistema reprodutor diminui a produção de esperma e a fertilidade, além de facilitar a transmissão venérea do vírus.
Além desses sintomas, a predisposição a outras infecções secundárias (provocadas por Mycoplasma gallisepticum, Escherichia coli e/ou Avibacterium paragallinarum) geralmente aumenta devido à perda de epitélio ciliar e alteração do aclaramento mucociliar nas vias respiratórias.
Diagnóstico, estratégias de controle e tratamentos
Os sinais clínicos da doença não são patognomônicos, portanto, é necessário realizar análises laboratoriais para detectar e caracterizar a cepa do vírus.
O diagnóstico clássico empregava testes sorológicos (ELISA, AGP, VN, HI), mas atualmente são utilizados ensaios moleculares (RT-PCR, qRT-PCR, RFLP), devido à sua sensibilidade e tempo de resposta. Esses tipos de ensaios permitem determinar o genótipo da cepa presente, o que ajuda no planejamento e avaliação adequados dos protocolos de vacinação e na avaliação da presença de cepas de campo específicas (4,9).
O vírus da bronquite infecciosa em galinhas foi isolado pela primeira vez em 1931. No entanto, as estratégias de prevenção têm priorizado o desenvolvimento de vacinas vivas (para frangos de corte) e inativadas (com vírus morto, para galinhas reprodutoras e poedeiras), mas não conseguiram eliminar a doença.
As vacinas vivas geralmente são administradas durante as duas primeiras semanas de vida, através da aplicação por spray, água de bebida ou gota ocular, seguida ou não por doses de reforço no campo, de acordo com o tipo e a prevalência do vírus e a vacina utilizada. Na verdade, a presença de múltiplas cepas coexistindo na mesma região e a velocidade em que estas sofrem mutações genéticas para escapar da resposta imune acarretam riscos de surtos em granjas intensivas.
Novas estratégias terapêuticas buscam reforçar o sistema imunológico inato das galinhas, utilizando agonistas de interferons
Além da implementação de vacinas e doses de reforço, medidas básicas de biosseguridade incluem limitar ou controlar o acesso às granjas, higiene e saneamento geral do material e equipamento, utilizando desinfetantes que devem ser trocados a cada seis meses, com o objetivo de evitar a aquisição de resistência em caso de contaminação residual pelo vírus.