Gestão financeira e sucessão familiar são desafios para o futuro do agronegócio

Fórum Executivo realizado em parceria com o Instituto Presbiteriano Mackenzie reuniu produtores, cooperativas e profissionais do setor para discutir os caminhos da sustentabilidade dos negócios rurais
O agronegócio brasileiro avançou em produtividade, tecnologia e eficiência técnica, mas ainda enfrenta um gargalo decisivo para transformar esse desempenho em resultados sustentáveis: a gestão. Essa foi uma das principais mensagens apresentadas por Roberto Rodrigues, PhD., CEO do grupo RR Life Agribusiness, diretor da ANEFAC Agro e membro da Câmara Temática de Gestão de Riscos no Agronegócio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), durante o Fórum Executivo do Agronegócio, realizado na Arena Conexão do Parque Tecnológico Agroleite, em Castro (PR). O encontro reuniu produtores, representantes de cooperativas e profissionais do setor para discutir gestão financeira, governança e sucessão familiar.
“O grande gargalo que temos é na gestão financeira. Muito do trabalho duro que o agronegócio tem se perde numa gestão que precisa ser otimizada”, afirmou Rodrigues. Para ele, o desafio do setor já não está apenas na capacidade de produzir, mas em fazer com que a eficiência alcançada no campo se traduza em saúde financeira e continuidade para os negócios.
A questão ganha ainda mais relevância diante do volume de recursos movimentado pelo agro. Segundo o palestrante, movimentar muito dinheiro não significa necessariamente gerar riqueza. “Às vezes um fluxo alto de dinheiro não significa riqueza. Talvez você só esteja transferindo riqueza para o mercado e não retendo nada, o que compromete a sustentabilidade do seu negócio”, destacou.
Rodrigues apontou ainda uma lacuna que ultrapassa a gestão financeira e envolve aspectos jurídicos, planejamento, financiamento e governança. O setor convive com níveis elevados de endividamento e, na avaliação apresentada durante o Fórum, ainda carece de produtos de crédito mais adequados à realidade do agronegócio. Nesse cenário, propriedades mais resilientes são aquelas capazes de combinar produtividade com organização, planejamento e capacidade de tomada de decisão.
A profissionalização também passa pela qualidade das informações utilizadas pelos gestores. Entre os desafios estão decisões excessivamente centralizadas, ausência de indicadores confiáveis, governança incipiente, conflitos familiares e societários e planejamento financeiro insuficiente. Como contraponto, o doutor Rodrigues destacou a gestão como diferencial competitivo e apontou como elementos estruturantes a controladoria, planejamento estratégico, o uso de dados, governança, compliance, gestão de riscos e a profissionalização das equipes.
Herdeiro não é necessariamente sucessor
Outro ponto central da discussão foi a sucessão familiar. Para Rodrigues, a continuidade dos negócios depende de planejamento antecipado e da preparação das novas gerações. “Planejar hoje é garantir o amanhã. Ser herdeiro é diferente de ser sucessor”, resumiu.
A sucessão, nesse sentido, não deve ser entendida apenas como transferência de patrimônio. Ela envolve diálogo, preparação, estruturação jurídica e patrimonial, profissionalização e preservação dos valores e da cultura que sustentam cada negócio familiar. A escolha de um sucessor também deve considerar vocação, interesse, qualificação, iniciativa e responsabilidade, não apenas o vínculo familiar.
Os participantes reconheceram a importância desse olhar. Alexandre Neubert, advogado e pastor presbiteriano, resumiu o principal aprendizado do encontro como a necessidade de “profissionalizarmos mais o nosso agro, executando o trabalho com uma gestão mais técnica, detalhada e apurada”.
Para Gaspar Adriano Horn, promotor de vendas da Pioneer Sementes, a discussão sobre sucessão trouxe uma mudança importante de perspectiva: a propriedade rural precisa ser administrada cada vez mais como uma empresa. Ele destacou a diferença entre fluxo de caixa e patrimônio e a necessidade de diversificar atividades e preparar os filhos para assumir responsabilidades de acordo com suas formações e competências.
Rodrigo Everson, engenheiro agrônomo da Cooperativa Castrolanda, também ressaltou o impacto das transformações tecnológicas sobre as novas gerações. Para ele, a inteligência artificial amplia oportunidades, mas exige preparo para que as ferramentas sejam utilizadas de maneira adequada. “A gente tem muitas oportunidades e muitos desafios também”, afirmou, defendendo a aproximação entre tecnologia, conhecimento e formação profissional.
Conhecimento para transformar
A presença do Mackenzie no debate foi apontada pelos participantes como uma oportunidade de aproximar conhecimento acadêmico e experiência prática. Para Everson, a instalação do Hub Mackenzie Agro no Parque Tecnológico Agroleite representa uma possibilidade concreta de ampliar essa integração. “É uma grande alegria a gente estar com o Hub do Mackenzie aqui ‘do lado de casa’”, pontuou, destacando as oportunidades que a estrutura pode criar para toda a comunidade.
Gaspar também levantou a importância dessa aproximação entre academia e produtores, especialmente no processo de formação das novas gerações. Segundo ele, o conhecimento acadêmico pode se somar à experiência acumulada no campo e contribuir para “alavancar e potencializar a parte agrícola do Brasil”.
Para Franz Borg, produtor e participante com décadas de atuação no setor, o conteúdo apresentado no Fórum dialogou diretamente com os desafios enfrentados pelo agro e deveria alcançar um público ainda maior. “Eu considero este um assunto muito atualizado”, assinalou, defendendo que o conhecimento discutido seja replicado para mais produtores da região.
Borg também ressaltou o papel da educação na preparação dos jovens. Em sua avaliação, conhecimento, comunicação e capacidade de relacionamento são fundamentos para que as novas gerações possam encontrar seus caminhos profissionais e assumir novos desafios.
Mackenzie Agro amplia presença no ecossistema regional
Realizado em conjunto pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), por meio de suas mantidas e setores, o Fórum marcou também a inauguração das atividades do Hub Mackenzie Agro, iniciativa voltada à aproximação da instituição com o ecossistema do agronegócio. A programação contou ainda com um momento devocional conduzido pelo Rev. Isaac Yuri Zapata Correa, que destacou, a partir das escrituras, a importância de edificar trabalho, família e projetos sobre fundamentos sólidos.
Para a professora Mônica Jasper, diretora do Instituto Cristão Mackenzie, a iniciativa representa justamente a possibilidade de colocar diferentes competências da instituição a serviço de uma agenda estratégica para a região.
“A ideia é trazer todo o potencial da instituição para esse debate no agro. O Hub possui um espaço físico, mas sua atuação não se limita geograficamente, unificamos a Educação Básica e Técnica já oferecida na região com o trabalho da Educação Executiva”, adicionou Mônica.
A proposta é aproximar educação, conhecimento, inovação e experiência prática para contribuir com os desafios presentes e futuros do agronegócio. Em uma região marcada pela força das cooperativas, das propriedades familiares e da atividade agropecuária, o Hub Mackenzie busca fazer da educação uma ferramenta também de desenvolvimento econômico e social, conectando a formação das novas gerações às necessidades de um setor que, para continuar crescendo, precisa produzir mais do que resultados no campo: precisa também preparar quem estará à frente dele amanhã.
Sobre o Instituto Presbiteriano Mackenzie
É uma instituição privada educacional e de saúde, confessional e sem fins lucrativos. Desde sua fundação, é agente de uma série de inovações pedagógicas e acompanha e influencia o cenário da educação no País. Um de seus principais objetivos é formar cidadãos com capacidade de discernimento, com critérios e condições para fazer a leitura do mundo em que vivem, a partir de valores e princípios eternos, e que sejam aptos a intervir na sociedade.
Ao longo de sua existência, implantou cursos com o objetivo de abranger novas áreas do conhecimento e acompanhar o progresso da sociedade com intensa participação comunitária. Tornou-se reconhecido pela tradição, pioneirismo e inovação na educação, o que permitiu alcançar o posto de uma das mais renomadas instituições de ensino, entre as que mais contribuem para o desenvolvimento científico e acadêmico do País. Como entidade confessional, promove o desenvolvimento de cidadãos que sejam solidários, responsáveis e busquem a Deus em seus caminhos.
O Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM) é a entidade mantenedora e responsável pela gestão administrativa da Universidade Presbiteriana Mackenzie nos campi São Paulo, Alphaville e Campinas, das Faculdades Presbiterianas Mackenzie em três cidades do País: Brasília (DF), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ), bem como das unidades dos Colégios Presbiterianos Mackenzie de educação básica em São Paulo, Tamboré (em Barueri – SP), Brasília (DF) e Palmas (TO). Além do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie Paraná (Curitiba), que presta mais de 90% de seu atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o campo de estágios da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR).